Como montar uma carteira de ações vencedora

Como montar uma carteira de ações vencedora? 27 fundamentos não ignoráveis!

Não podemos negar que o maior desejo do pequeno investidor é saber ao certo como montar uma carteira de ações vencedora. Muitos se espelham nas melhores ações do Ibovespa, outros seguem dicas de analistas e corretoras ou optam por estudar, analisar e escolher os papéis por conta própria.

É possível determinar quais são os fundamentos essenciais para que a carteira elaborada seja realmente vencedora? Como se trata de renda variável, não é possível garantir a certeza de nada, a menos que você tenha o dom de prever o futuro.

No entanto, é possível determinar alguns princípios que minimizam riscos e aumentam a possibilidade do portfólio de ações montado ter sucesso no longo prazo.

É isso que vamos explorar nesse artigo de hoje, alguns dos fundamentos essenciais para fazer a sua carteira vingar no futuro! Vamos lá?

Buy and Hold: o que é uma carteira de ações para o longo prazo?

Para início de conversa, é importantíssimo ter em mente que o investimento em ações é uma estratégia de para o longo prazo (acima de 20 anos). Então, esse artigo não é destinado àqueles que negociam ações em operações de compra e venda em prazos reduzidos.

Particularmente, eu sigo os princípios da estratégia de escolha de ações chamada Buy&Hold. Isto é, escolher empresas com bons fundamentos e boas perspectivas de mercado para carregar esse ativo pelo máximo de tempo possível. Ou seja, nessa estratégia, não temos prazo para resgatar o investimento.

Em outros artigos, destacamos o que deve ser analisado ao escolher uma ação para compor a sua carteira, em termos de princípios da análise fundamentalista e também o que deve ser analisado ao escolher qualquer tipo de investimento.

SAIBA MAIS:

Sempre mencionei aqui no blog que meus investimentos visam a acumulação de capital e não o aproveitamento de “oportunidades” de investimento. Como sabemos, a evolução da cotação de um papel está diretamente atrelado aos seus fundamentos. Isto significa, em termos diretos, que cotação acompanha o lucro, na maioria das vezes.

É possível montar uma carteira de ações conservadora, intermediária e mais agressiva. Em outras palavras, escolher empresas mais consolidadas, boas pagadoras de dividendos, empresas de crescimento etc.

Então, a primeira dica para montar uma carteira de ações vencedora é alinhar a escolha dos papeis com os seus objetivos e sua característica como investidor.

Uma carteira de renda variável tem só ações?

Logo abaixo, vamos listar alguns fundamentos que considero essenciais para que uma carteira tenha bom desempenho no longo prazo. Mas, como você vai notar, a diversificação é o fator numero #1 na minimização de riscos.

Isso não só dentro da carteira de ações, mas em todo o portifólio do investidor. A posição do investidor de sucesso deve compreender os melhores tipos de investimento possíveis, de forma equilibrada e diversificada.

Em renda variável, é interessante investir não só em ações de empresas, mas também construir uma boa posição em fundos de investimento imobiliários (FIIs), REITs, ações no exterior, patrimônio em moedas fortes e outros bons tipos de alocações.

Particularmente, eu não gosto de ETFs e fundos de ações, pois prefiro escolher os meus ativos por conta própria e seguindo os meus critérios. Mas, se você os considera uma boa alternativa, é mais uma possibilidade de aumentar a sua diversificação em renda variável.

Enfim, partindo para as ações propriamente ditas, vamos agora aprofundar nos critérios para a montagem da carteira.

Como montar uma carteira de ações vencedora?

Alinhada aos seus objetivos e seu perfil como investidor, a carteira mais diversificada de ações deve seguir os fundamentos que considero importantes abaixo.

1. As 1ª, 2ª e 3ª prioridades devem ser o controle de risco e não a rentabilidade

Investir em renda variável é sem dúvida algo que não temos o menor controle sobre. Para o pequeno investidor, os pensamentos iniciais devem ser sempre voltados às maneiras pelas quais ele pode minimizar o risco do seu investimento.

Nunca teremos pleno conhecimento do que se passa na gestão da empresa. Quem garante que a empresa que você investe hoje não será flagrada em operações da Polícia Federal amanhã, comprometendo sua imagem e governança? Ou ter um escândalo de fraude nos balanços como a IRB Brasil?

O pequeno investidor exposto ao risco de modo considerável. Falamos de risco aqui, não só no sentido negativo. Risco pode ser avaliado no sentido positivo, fazendo com que a cotação da ação salte em poucos pregões.

O investidor inteligente minimiza e controla sua exposição ao risco e considera que todos os seus papeis estão sujeitos ao mesmo risco. Isto significa que todas as ações de uma carteira devem ter o mesmo peso ou algo muito próximo disso. Daí, não favorece um único ativo dentro da carteira, mesmo que ele tenha “subido demais”.

2. Investir em empresas bem geridas e lucrativas

Eu tenho na minha mente que uma carteira de valor deve ser composta de empresas lucrativas e bem geridas. Governança é o fator principal na escolha de um investimento para, então, partirmos para a análise de índices fundamentalistas.

Pense comigo: se uma empresa não é um bom exemplo no quesito governança, faz algum sentido avaliar seus números? Ou seja, mesmo que os índices fundamentalistas sejam razoáveis, ficaremos sempre com a pulga atrás da orelha sobre questões de boa gestão e reconhecimento do mercado sobre essa administração.

Em seguida, devemos pensar na rentabilidade e lucratividade. Na minha mente, tenho a ideia de ser sócio de empresas lucrativas e rentáveis. Uma empresa desse tipo deve ser capaz de manter os lucros crescentes pelo menos por 5 anos consecutivos.

Avalie se ela, além de entregar um produto valioso para os consumidores, consegue rentabilizar bons lucros sobre essas vendas. Na prática, veremos que ela consegue manter bons índices de produção e custos reduzidos. Receita menos despesa é igual a lucro.

Pense bem! Se um amigo seu te chama para ser sócio de um negócio que só dá prejuízo, você iria investir? Por uma razão obscura, as pessoas fazem isso na bolsa.

3. A diversificação é a sua melhor amiga

Uma das dúvidas mais comuns dos investidores é sobre quantas ações ter ao entender melhor como montar uma carteira de ações vencedora. Antes disso, te digo para pensar na diversificação. Pense em:

  • investir em setores diferentes;
  • investir em empresas de tamanhos diferentes;
  • investir em empresas com objetivos de mercados diferentes;
  • investir em empresas com market share diferentes;

Em outras palavras, procurar equilibrar a carteira de ações com boas empresas de vários setores (elétrica, varejistas, financeiras, consumo cíclico, não-cíclico) etc.

Pela diversificação, quanto mais variadas as suas escolhas, menor a sua exposição ao risco. Como podemos ilustrar (ver figura abaixo), há no mercado algo que chamamos de risco sistemático, que é comum a todas as empresas.

Por exemplo, uma crise econômica resultante da desaceleração por causa da pandemia do novo coronavírus é um risco sistemático que afeta todos os players do mercado.

Há também o risco não-sistemático, ou seja, que não afeta “todo o sistema” e é reduzido conforme aumentamos o número de ativos na carteira. Uma crise nas empresas de energia elétrica é um bom exemplo de risco que não afeta todas as empresas; uma falta de fé nos serviços de seguradoras outro exemplo e por aí vai. Então é algo que não vai balançar a bolsa na totalidade, mas apenas empresas de um determinado setor ou subsetor.

Ao diversificarmos, escolhendo empresas boas de vários setores, tamanhos e perspectivas, minimizamos esse risco total da carteira.

4. Diversificar com ações no exterior

Além de montar uma posição de renda variável no Brasil, é interessante também construir aos poucos uma boa carteira de ativos estrangeiros. Isso considerando investir diretamente, ou seja, evitando BDRs e outras modalidades em que o seu dinheiro não sai do país.

As bolsas americanas e europeias oferecem excelentes empresas que você também pode se tornar sócio, diversificando o seu risco em mais de um país e mitigando-o na sua carteira.

5. Fugir de rolos e problemas de governança

Já dissemos várias vezes que a governança é o ponto inicial de análise de uma empresa. Então, uma carteira vencedora é composta de empresas com os melhores indicadores de governança. Confira e aprenda sobre os segmentos de listagem da bolsa e dê prioridade aos papeis com os mais altos índices de governança. Quanto mais próximo do Novo Mercado, melhor.

Fonte: B3

6. Investir em empresas de crescimento sólido

Neste item é possível averiguar se a empresa é boa respondendo algumas perguntas simples:

  • a empresa gerou lucros consistentes e consecutivos nos últimos cinco anos?
  • qual é a taxa de crescimento do lucro líquido dos últimos anos?
  • a empresa aumenta as sua receita líquida ano a ano?
  • a empresa tem conseguido aumentar seu market share?
  • a empresa conseguiu comprar ou reduzir o poder de seus concorrentes?
  • a empresa cresce sem perder a mão no endividamento?
  • a empresa cresce se mantendo solvente?

Muitos desses questionamentos são facilmente verificáveis com o auxílio de sites como o Fundamentei e o Status Invest.

7. Investir em empresas que têm sua dívida equilibrada e sob controle

Além da empresa escolhida ser lucrativa e rentável perante seus ativos e patrimônio líquido, ter bons índices de liquidez e estrutura de capital, devemos analisar se as dívidas da empresa estão sob controle ou se ela se endivida sem parar e sem critério.

É normal que as empresas tenham dívidas. Há um grupo no balanço patrimonial separado só para isso. Mas lembre-se que o patrimônio líquido – a real riqueza de uma empresa – está na diferença entre os ativos e passivos.

Leia os documentos oficiais, veja o que a empresa está fazendo com a sua dívida (investindo em expansão, tomando empréstimos para o operacional da empresa, rolando uma dívida etc) e se isso significa que ela está sob controle.

Para isso, avalie se o EBITDA (resultado operacional) acompanha o crescimento da dívida, o tamanho do passivo circulante em relação ao patrimônio líquido, o tamanho do caixa perante às disponibilidades e outros indicadores de endividamento. Esses dados são facilmente localizados nos balanços da empresa e em sites de análise fundamentalista como o Status Invest. Veja um exemplo:

Fonte: Status Invest

8. Pensar duas vezes antes de entrar em IPOs

O momento da abertura de capital de uma empresa é algo que causa muita euforia e movimentação nos mercados. Mesmo antes do período de silêncio, há uma enormidade de conteúdo em produção sobre o IPO.

No entanto, o pequeno investidor deve ter cuidado com isso, sobretudo quando está investindo para o longo prazo. É comum encontrarmos, em empresas que recentemente abriram capital, poucos dados históricos para fazer a análise de fundamentos.

Ou seja, há quanto tempo ela tem lucros/prejuízo, situação de endividamento, posição de caixa, etc. Se houver esses dados disponíveis para a análise, ótimo. Caso contrário, vale a pena esperar alguns anos de bolsa para entrar como acionista para ter um volume de informações que permitam um estudo digno.

Inclusive devemos compreender por qual motivo a empresa está fazendo o IPO. Em outros termos, o que ela vai fazer com o dinheiro do IPO? Um exemplo recente que me vem à cabeça é o IPO da C&A que foi destinado prioritariamente à quitação de dívidas de mais de R$ 700 milhões e não na expansão da empresa.

Outro ponto importantíssimo é avaliar se a empresa está indo a público apenas para encontrar financiadores e não novos sócios. Uma boa maneira de analisar isso é ver se a empresa vai entrar no Novo Mercado e negociar apenas ações ordinárias ou vai colocar na bolsa apenas papeis que indicam governança pior, como preferenciais e units.

Veja o exemplo do banco BMG, que foi ótimo para empresa, mas péssimo para o acionista:

Fonte: B3

9. Entender que emoção não entra no mercado

Este fundamento é importantíssimo. Não devemos esquecer que estamos avaliando empresas, com dados numéricos e de mercado. O investidor deve avaliá-los com o máximo de frieza possível para ter mais clareza sobre quais são os riscos envolvidos.

Além do mais, evitar o “endeusamento” de empresas e se render à euforia. Vale lembrar aqui o exemplo da IRB Brasil mais uma vez, que era a melhor empresa do mundo até a divulgação da carta da Squadra apontando uma série de inconsistências nos resultados divulgados pela companhia.

10. Entender que ninguém tem a ‘dica quente’

Eu não tenho a “dica quente” da melhor ação da bolsa para comprar hoje. Ninguém tem. Isso é insider trading e é crime. Devemos ter muito cuidado com falsos profetas que cravam quanto uma empresa vai subir. Na era da informação, isso é muito comum no YouTube e no restante e um dos click baits mais utilizados para atrair atenção.

11. Reinvestir os dividendos e JCP

A fim de potencializar os resultados e a ação dos juros compostos, devemos reinvestir os dividendos e juros sobre o capital próprio recebidos, isso fará enorme diferença no longo prazo. Veja um exemplo de comparação de performance de um investimento na Coca-Cola por 50 anos, reinvestindo ou não os proventos.

12. Não copiar o bilionário famoso

Outra prática muito comum dos novos entrantes no investimento em bolsa de valores no anseio em descobrir como montar uma carteira de ações vencedora é copiar investidores famosos. Investir nas mesmíssimas ações que ele.

Aqui devemos tirar de lição que tais investidores como Warren Buffet, Luis Barsi e outros construíram suas carteiras em momentos diferentes do seu, com objetivos diferentes do seu, experiência e operando em mais frentes que você. Temos que ter filtro também para o que esses caras falam e entender como se aplica à sua realidade.

Defina os seus objetivos, seus critérios e trabalhe com isso para ser um investidor de sucesso com resultados condizentes à sua realidade.

13. Esquecer as carteiras de dividendos e da corretora

Outra abominação que o investidor de longo prazo deve evitar e seguir carteiras de dividendos, calls de corretora e obedecer cegamente casas de research. Lembre-se que, toda vez que uma empresa paga dividendos, o valor é descontado do preço da ação. Se você construiu o seu método e definiu os seus parâmetros para investir ou não em uma ação, siga ele.

Uma boa carteira de ações deve diversificar também os tipos de empresa quanto ao seu momento atual e não focar apenas em pagadoras de dividendos. Você também deve ter empresas de crescimento (que retém os lucros para continuar crescendo), de baixo endividamento etc.

E outra: para a corretora, quanto mais você girar o seu patrimônio, melhor para ela. Por isso, há tantas carteiras recomendadas (semanal, mensal, dividendos, etc). Então perceba as sutilezas e tome cuidado quando a corretora tenta fazê-lo girar suas alocações.

14. Entenda que não existe empresa indestrutível

Neste princípio, lembramos mais uma vez a euforia e o endeusamento de empresas, especialmente as que sobrem sem parar. Empresas muito grandes já quebraram por diversos motivos: tecnologia obsoleta, fraudes, desastres ambientais, má administração, aparecimento de um produto substituto no mercado, concorrência internacional e muitos outros. Então, tenha em mente que nenhuma empresa vai durar para sempre não importa o que.

15. Entenda que não existe ação cara nem barata na bolsa

Outra mania de investidor novato e ficar procurando a ação mais cara e mais barata. Entenda que isso não existe, as coisas custam o que elas custam e o mercado é relativamente bem eficiente na precificação. Eugene Fama ganhou um prêmio Nobel estudando a teoria da eficiência do mercado.

Você não vai encontrar barbadas na bolsa, então pare de procurar. Veja o estudo abaixo. Ele nos mostra o desempenho de Warren Buffet contra o S&P 500. Perceba como, ao longo do tempo, foi ficando mais e mais difícil para o maior investidor de todos os tempos encontrar valor na bolsa americana.

Se ele tem essa dificuldade, não vai ser você com 2 anos de bolsa que vai encontrar as melhores e mais baratas empresas para investir.

16. Assuma seus erros, estude e construa o seu método

Quando você desenvolve o próprio método e objetivos de investir em ações, fica muito mais fácil encontrar e assumir os seus erros para não cometê-los numa próxima vez.

Outra característica muito comum do investidor iniciante é ficar atribuindo culpa para quedas na cotação e resultados que não o agradem. Sempre colocam a culpa na indicação da corretora, no efeito manada ou quaisquer outros motivos.

Mas, concorda comigo que ninguém te obrigou a investir em determinada ação? Você investiu por que quis. Então tome rédea e assuma as suas decisões de investimento.

17. Cotação não importa! Preço-alvo tampouco…

Se você aporta frequentemente, preço de compra não importa, pois você vai acabar comprando o papel em diferentes momentos: em alta, baixa e andando de lado.

Estudos também nos mostram que aportes aleatórios tem rendimento melhor do que sempre aportar na máxima e bem próximo de quando aportamos sempre nas mínimas, veja o exemplo abaixo.

Ou seja, trabalhe e foque nos aportes mensais. Não perca tempo estudando e tentando descobrir qual é o melhor momento de entrar em uma ação.

Preço-alvo é outra palavra para riscar do dicionário do investidor de longo prazo. Isso é usado para operações na bolsa de valores em períodos curtíssimos, como dias, semanas e meses. Quando vamos carregar a ação por muito tempo, não temos um preço-alvo de saída do papel. Você só vende quando a empresa não atende mais os seus critérios para investir.

Fonte: Bastter

18. Não se desesperar nas quedas generalizadas da bolsa

Grandes quedas na bolsa de valores são normais e não há nada a temer sobre isso. Como dissemos, a economia é cíclica, ou seja, passa por períodos de contração e expansão. As empresas, como agentes econômicos, passam e sofrem com esses movimentos.

No longo prazo, você vai perceber que essas quedas são quase insignificantes. Veja abaixo o gráfico de 30 anos da Pepsico, com pelo menos 3 quedas fortes (acima de 25%). Porém, em um investimento de décadas, isto fica bastante relativizado uma vez que aplicações em bolsa em empresas boas tendem a seguir os fundamentos. No curto prazo, a ação vai seguir literalmente qualquer coisa.

Fonte: Bastter

19. Não ficar girando o seu patrimônio

“Patrimônio não se gira, patrimônio se acumula”. Outro forte ensinamento do Bastter sobre como montar uma carteira de ações vencedora é não ficar pulando de um investimento a outro, girando incessantemente o seu patrimônio.

Isso decorre do desejo de sempre querer encontrar a melhor oportunidade, a ação que vai bombar, a nova Magazine Luiza etc. Estudos nos mostram que, quanto mais você fica exposto a um investimento bom, maiores são as chances de ganhar mais com ele.

Ao ficar girando, você vai reduzindo essa possibilidade. Veja a análise abaixo.Ela nos mostrao resultado de um aporte de R$ 10 mil no Ibovespa entre 1995 e 2014, perdendo os melhores dias da bolsa. Quando não se perde nenhum, o retorno é máximo; quanto mais dias bons você vai perdendo, menores são os resultados.

Como não é possível prever quais serão os dias bons e os dias ruins, devemos deixar o investimento quietinho fazendo a sua parte.

Fonte: Bastter

20. Esquecer as notícias, o Ibovespa e a Betina

Como supramencionado, no curto prazo, ações e a bolsa de valores seguem qualquer coisa. Foque nos fundamentos e no retorno ao longo do tempo.

A bolsa já foi chama de melhor e o pior investimento do mundo dentro do mesmo ano. As capas de revista, noticiários econômicos, Youtubers fazem muito alarde nos movimentos mais fortes da renda variável, para cima e para baixo.

Outra coisa importante é lembrar que o Ibovespa é uma carteira hipotética da bolsa. O índice não representa todas as ações da bolsa. Então, o sucesso do Ibovespa não necessariamente vai estar atrelado ao seu sucesso. Entenda que ele é um termômetro do mercado, ms há muitas nuances dentro do próprio índice, que é bastante concentrado.

O site de relações com investidores, as demonstrações financeiras e comunicados da empresa são as melhores fontes para buscar informações sobre a empresa. Cadastre-se nos sites de RI das empresas para receber as informações no seu e-mail. Por que não beber na fonte, não é mesmo?

21. Use as forças de Porter na sua análise

A análise de uma companhia por meio das 5 forças de Michael Porter nos permite incluir um elemento a mais nos estudos fundamentalistas.

Aliadas aos cálculos dos indicadores da empresa, as forças de Porter nos levam à reflexão sobre o quanto uma empresa pode permanecer competitiva perante a:

  • ameaças de produtos substitutos;
  • poder de negociação com seus fornecedores;
  • rivalidade entre os concorrentes;
  • ameaça de novos entrantes; e
  • poder de negociação com clientes.

22. Não tenha medo dos balanços patrimoniais e DREs

Ler os releases das empresas, notas da administração e alguns fatos relevantes pelo menos uma vez ao ano será parte da vida do investidor de renda variável.

Não tenha medo de ler os balanços, mesmo que você não entenda nada de contabilidade. Comece a se habituar aos termos, grupos de contas e o que eles significam. Com o tempo, essa habilidade será desenvolvida. Até porque, você precisará de dados extraídos das demonstrações financeiras para saber se a empresa é boa ou não.

Tipos de ações que eu evito ter na minha carteira

Até aqui, falamos dos fatores que fazem um papel entrar na sua carteira de ações. Vamos destacar agora alguns dos princípios que eu sigo para nunca investir em uma empresa enquanto ela não muda.

23. Empresa que dá prejuízo, tem margens baixas ou resultados inconsistentes

Há empresas que você gasta dois segundos para analisar. Vá na coluna de lucro líquido da empresa e, se encontrar prejuízo recorrente, já elimine de cara.

Caso encontre lucro, mas que não seja consistente, também vale eliminar Os lucros devem ser recorrentes. São várias as empresas que dão lucro num ano, prejuízo no outro, ficam no zero a zero em um terceiro e por aí vai. Isso não gera valor para o acionista no longo prazo.

As margens também merecem uma atenção especial. Empresas com margens muito baixas por muito tempo representam a enorme dificuldade da empresa em lucrar e o alto custo do seu operacional e custo de vendas. Vale lembrar que alguns setores têm margens baixas mesmo, como no caso das varejistas que ganham no volume vendido.

24. Empresa em recuperação judicial (quebrando mesmo)

Quando a empresa está em recuperação judicial, fique de fora. Essa questão é complicada até para quem está envolvido na recuperação, imagine para o leigo. Será talvez o momento mais conturbado da vida da empresa e ela pode vir a decretar falência. Podemos citar algumas empresas de capital aberto que estão nesse processo atualmente, como Oi, Saraiva, Eternit, entre outras.

25. Quando o governo está com uma mão (ou as duas) na gestão da empresa

A participação do governo, em qualquer proporção, em uma companhia de capital aberto é para deixar o investidor com o sinal de alerta ligado. Ainda mais no Brasil, não é mesmo?

Quando há o dedo do governo no dia a dia da empresa, entenda que o risco do investimento aumenta, pois haverá mais interesses por trás do que simplesmente o bem-estar da companhia e gerar retorno aos acionistas.

Não é raro ver o poder público usar uma empresa para seus próprios interesses: eleitorais, cabide de empregos, uso dos recursos da empresa em financiamento do governo, etc.

26. Não é possível entender como a empresa ganha dinheiro

Parece muito elementar isso, mas é fundamental entender qual é o produto de uma empresa e como ela ganha dinheiro com isso. A partir disso, você consegue avaliar se há empresas fazendo isso melhor do que ela ou não. Por exemplo, há alguém que fabrique e ganhe mais dinheiro do que a Coca-Cola com refrigerantes?

27. Fique de fora quando você não entende o setor

Se você não entende como a empresa ganha dinheiro, fique de fora. Se você não compreende e não quer estudar o setor que ela atua, fique de fora. Alguns setores são espinhosos de entender a sua dinâmica, sobretudo quando envolvem commodities (petróleo, celulose, minério de ferro, trigo etc).

Uma análise dos setores e da economia são fundamentais para entender as perspectivas da empresa, possibilidades de diversificação e o que afeta as suas vendas ou os insumos que ela utiliza no seu processo produtivo.

Como gerenciar a sua carteira de ações?

Definida a carteira de ações, com pelo menos 10 empresas diferentes de setores diferentes, agora você deve acompanhá-la. Mas não precisa fazer isso todos os dias do ano, foque no seu trabalho.

Um amigo meu costuma dizer que investir é como fritar peixe, se mexer demais, estraga. Uma vez por ano, abra os relatórios financeiros e releases de resultados da empresa, veja como foi o ano dela e suas perspectivas para o futuro e se ainda está dentro dos seus critérios como investidor.

Se uma empresa não atende mais tais critérios, não venda tudo de uma vez. Pare de aportar, e espere mais um ano ou dois, veja se a companhia consegue se recuperar ou resolver a questão. O acompanhamento pelo pequeno investidor pode ser feito com tal frequência com enorme tranquilidade. Saber como montar uma carteira de ações vencedora vai além só de construí-la, mas também de como a administramos.

Monte uma planilha para acompanhar não só o rendimento médio carteira de ações, mas também para facilitar a sua declaração de imposto de renda. Disponibilizamos pra você uma planilha gratuita para download aqui no blog, acesse o link a seguir para baixá-la

[Download] Planilha de controle de investimentos e ações para bolsa de valores

E como balancear a carteira de ações?

Faça aportes mensais, considerando sempre que todas as ações da sua carteira estão sujeitas ao mesmo risco. Logo, destine o mesmo peso para cada uma delas. Se você tem 20 ações, então cada uma delas corresponderá a 5% do seu patrimônio total.

Daí, você vai comprando as que forem ficando para trás, rebalanceando a carteira. Isso pelo menos no início. Mais para frente, quando você estiver mais experimentado poderá flexibilizar essa regra um pouco mais.

Vale a pena incluir ETFs?

Por fim, particularmente, eu não incluo ETFs na minha carteira de ações, pois, dentro desse tipo de fundo virão empresas ruins e que você não se tornaria sócio se investisse diretamente. Dê preferência, como dissemos, ao seu método e faça os aportes diretamente nas empresas que deseja e elimine o intermediário.

Curtiu essas dicas de como montar uma carteira de ações vencedora? Então faça o download e gerencie sua carteira de ações com a melhor planilha para controle de ações!

Investidor buy & holder, co-fundador do Diário de Investimentos, jornalista (17.248/MG), fotojornalista, escritor, graduando em ciências econômicas, estrategista de conteúdo na área de Marketing Digital e especialista em gestão estratégica da comunicação e comunicação digital e mídias sociais.
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