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Análise completa dos demonstrativos contábeis: WEG

            Compreender e saber analisar as demonstrações contábeis de uma empresa são habilidades essenciais para o desempenho da administração, ciências contábeis e ciências econômicas de profissionais completos. Instrumentos não somente da tomada de decisões, também permite trabalhos consultivos, indicações de investimento, diagnóstico da situação atual da organização, entre outros benefícios. Ou seja, permite ao analista a visão de passado, presente e futuro da companhia.

            É também através do balanço patrimonial e das demonstrações de resultado que podemos inferir um histórico e estrutura financeiros de uma empresa, determinar sua capacidade de geração de caixa e de honrar os compromissos, bem como sua capacidade ser rentável e gerar resultados aos seus acionistas.

            As empresas de capital aberto no Brasil tem a obrigação de tornar público, a cada trimestre, seus resultados financeiros. O mercado aguarda esses números com certa ansiedade, em virtude de buscar boas oportunidades de investimento e/ou avaliar o desempenho de determinada organização em termos de potencial retorno com sua valorização e distribuição de dividendos.

            Para essa análise, além de considerar a conjuntura macro e microeconômica que a empresa está envolvida, desenvolvem-se também a análise de indicadores e quocientes de estrutura de capital, liquidez/solvência e rentabilidade. Acrescenta-se a isso as análises vertical e horizontal aplicadas ao balanço patrimonial a fim de conhecê-lo a fundo.

            Neste artigo, escolheu-se arbitrariamente uma companhia de capital aberto negociada na bolsa de valores para realizar tais análises. A empresa selecionada foi a WEG, fundada em 1961, listada na bolsa há 38 anos e com mais de 21 mil funcionários. Com sede em Jaraguá do Sul (SC), atua no segmento de motores e compressores e é uma das maiores fabricantes de equipamentos elétricos do mundo e com atuação em outros setores.

     WEG: apresentação da empresa

A WEG, empresa escolhida para este trabalho é uma das principais organizações do segmento industrial da economia brasileira. A empresa foi fundada em 1961 e está há 38 anos com ações em negociação na bolsa de valores. Conta atualmente com mais de 21 mil funcionários. Com sede em Jaraguá do Sul (SC), atua no setor de bens industriais e, entre outros produtos, seu core business é a fabricação de motores e compressores.

Listada pela B3 como uma empresa do Novo Mercado, comprovando a excelência de sua gestão e governança, suas ações possuem 100% de Tag Along e um free float de 35%. Seu sócio majoritário é a WPA Participações e Serviços, com 50,1% das ações ordinárias.

Segundo dados da página de Relações com Investidores da empresa, sua linha de produtos incluem motores elétricos, eólicos, transformadores, energia solar, alternadores, PHC, equipamentos de automação, fundição, tintas e vernizes, geração, transmissão e distribuição de energia, motores para uso doméstico, entre outras. Sua diversificação e atuação também fora do Brasil permite que as receitas da empresa sejam divididas em 58% provenientes do mercado externo (atuação em 5 continentes) e 42% do mercado interno.

Seu sistema de produção é baseado na expansão modular, evitando a capacidade de produção ociosa, maximizando o retorno sobre o capital e reduzindo os riscos de demanda. Além disso, sua flexibilidade permite que a WEG competitivamente forneça pequenos lotes de produtos altamente customizados. Os investimentos em inovação, pesquisa e desenvolvimento também são valorizados pela empresa. No ano de 2018, 2,6% da receita líquida – R$ 308 milhões – foram para essa área.

Resumo do relatório da diretoria

Os números da WEG são sólidos e atraem grande número de investidores, devido ao seu crescimento. A empresa destaca a continuidade do ciclo de recuperação industrial da economia, suportando também a melhoria do Retorno Sobre o Capital Investido. Eis alguns de seus destaques, extraídos do release de resultados e o relatório da administração do 4º trimestre de 2018:

  • A Receita Operacional Líquida foi de R$ 3.124,7 milhões no 4T18, 16,9% superior ao 4T17 e 3,5% inferior ao 3T18. Ajustada pelos efeitos da consolidação da aquisição da TGM, a ROL mostraria crescimento de 15,1% sobre o 4T17.
  • O lucro líquido no 4T18 foi de R$ 335,3 milhões, com crescimento de 11,7% em relação ao 4T17 e queda de 12,1% em relação ao 3T18. A margem líquida atingiu 10,7%, 0,5 ponto
  • percentual inferior ao 4T17 e 1,1 ponto percentual inferior ao 3T18.
  • O EBITDA atingiu R$ 489,8 milhões, 30,2% superior ao 4T17 e 0,2% superior ao 3T18, enquanto a margem EBITDA de 15,7% foi 1,6 ponto percentual maior que no 4T17 e 0,6 ponto percentual maior do que no 3T18.
  • O Retorno Sobre o Capital Investido (ROIC) atingiu 17,6% no 4T18, um crescimento de 1 ponto percentual em relação ao 4T17 e crescimento de 0,4 ponto percentual em relação ao 3T18.
  • A geração de caixa nas atividades operacionais foi de R$ 1.299,7 milhões no ano de 2018. Aumento de 17,4% comparado ao mesmo período do ano anterior.

O relatório da diretoria ainda destaca, no último trimestre de 2018, a evolução da recuperação do setor industrial brasileiro. Cita que além dos investimentos em equipamentos de ciclo curto que estão em níveis normais, observaram a retomada de cotação de projetos de ciclos longo para indústrias de papel & celulose e óleo & gás, ainda que de forma gradual e condicionada ao aumento da confiança da indústria brasileira e melhor do cenário econômico.

A troca de governos federal e estaduais, contribuíram para a redução da receita no 4T2018 no Brasil na área de geração, transmissão e distribuição de energia. Nomercadoexterno, o crescimento é constante nas vendas de ciclo curto e novas oportunidades que surgem no longo ciclo nas áreas citadas e também na mineração. A diretoria chama atenção para a expansão do ROIC, destaque no trimestre, ressaltando seus investimentos em novos negócios com retornos atraentes. Segundo o relatório, “a volatilidade sobre as margens operacionais foi compensada pelos ganhos de escala e pela eficiência na alocação de capital”.

Alguns outros destaques do relatório:

Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais: vendas de ciclo curto continuam consistentes, especialmente em motores de baixa tensão e equipamento de automação. Demanda se mostrou pulverizada em todos os segmentos.

Geração, Transmissão e Distribuição de Energia (GTD): queda na receita no trimestre no Brasil devido a troca de governos. Por outro lado, o destaque positivo da área é o negócio de Geração Solar com novos projetos adicionados à carteira de pedidos. No mercado externo, a maior contribuição foram das vendas de transformadores.

Motores para uso doméstico: pequena redução da receita, pois depende diretamente da economia de consumo, que está comprimida. Pesou também o fraco desempenho da economia argentina, cliente atual.

Tintas e vernizes: em recuperação. Queda na receita devido ás dificuldades no mercado argentino.

Despesas de vendas, gerais e administrativas: registraram aumento, sobretudo no exterior, devido à desvalorização do real, que fez com que as despesas em dólar fossem mais significativas.

Investimentos: mais relevante em unidades no exterior, principalmente no México. Os investimentos em expansão e modernização da capacidade produtiva foram de R$ 429,4 milhões.

Dividendos: manteve um payout de 53%, com R$ 703,7 milhões pagos em 2018.

Destaques: aquisição da TGM Indústria e Comércio de Turbinas aprovadas pelo CADE.

Comentário sobre notas explicativas

Nesta etapa, serão selecionadas arbitrariamente 3 notas explicativas do relatório da diretoria anual e serão traçados comentários sobre essas notas.

NOTA 1 (PATRIMÔNIO LÍQUIDO):

a) Capital social

Na AGO-E de 24 de abril de 2018 foi aprovado o aumento de capital social da Companhia de R$ 3.533.973 para R$ 5.504.517 (R$ 3.533.973 em 31 de dezembro de 2017), representado por 2.098.658.999 ações ordinárias escriturais nominativas, sem valor nominal, todas com direito a voto, incluindo as 1.494.283 ações mantidas em tesouraria conforme item “d”.

O aumento de capital ocorreu mediante a incorporação de parte do saldo da conta de Reserva de Lucros para Investimentos no valor de R$ 1.970.544, atribuindo aos acionistas, a título de bonificação, 3 (três) novas ações ordinárias para cada 10 (dez) ações ordinárias, com a consequente emissão de 484.305.923 novas ações ordinárias escriturais nominativas, sem valor nominal, todas com direito a voto.

Comentário: o aumento do capital social de companhias abertas representa uma operação bastante comum para o mercado e é uma fonte de financiamento que viabiliza o desenvolvimento de novos projetos.

Além disso, mostra o bom momento da empresa já que permite que os antigos acionistas permaneçam como sócios da WEG, mas também possibilita que novos sócios entrem no projeto. As novas ações emitidas, além do direito a voto (ordinárias), aumenta a liquidez da empresa no mercado.

NOTA 2 (PLANO DE PENSÃO):

A Companhia e suas controladas são patrocinadoras da WEG Seguridade Social, que tem como objetivo principal suplementar os benefícios de aposentadoria fornecidos pelo sistema oficial da Previdência Social.

O Plano, administrado pela WEG Seguridade Social, contempla os benefícios de renda mensal (aposentadoria), abono anual, suplementação de auxílio-doença, suplementação de aposentadoria por invalidez, suplementação da pensão por morte, suplementação do abono anual e pecúlio por morte.

O número de participantes é de 19.547 (19.276 em 31 de dezembro de 2017). A Companhia e suas controladas efetuaram contribuições no montante de R$ 32.241 (R$ 29.654 em 31 de dezembro de 2017).

Comentário: Aqui, percebemos uma boa ação da WEG com seus mais de 21 mil funcionários, já que visa suplementar os benefícios de aposentadoria da Previdência Social, que já se sabe é bastante deficitária. Dessa forma, toma ações em valorizar a força interna de trabalho, aumentar a motivação dos empregados e tornar o clima interno bastante positivo, reforçando o ideal daquele funcionário que “veste a camisa” e quer se aposentar na WEG.

NOTA 3 (INSTRUMENTOS FINANCEIROS):

b) Riscos de moeda estrangeira

A Companhia e suas controladas, exportam e importam em diversas moedas, gerenciam e monitoram a exposição cambial procurando equilibrar os seus ativos e passivos financeiros dentro de limites estabelecidos pela Administração.

O limite de exposição cambial vendida (net) pode ser até o equivalente a 2 meses de exportações em moedas estrangeiras conforme definido pelo Conselho de Administração da Companhia. Em 31 de dezembro de 2018, a Companhia e suas controladas efetuaram exportações no montante de US$ 681,5 milhões (US$ 651,4 milhões em 31 de dezembro de 2017), representando hedge natural para parte do endividamento e outros custos atrelados a outras moedas, principalmente em dólares norte-americanos.

Comentário: Como boa parte da receita da WEG é oriunda de vendas no mercado externo, a empresa fica suscetível às variações na taxa de câmbio. Tanto a suas receitas, quanto as suas dívidas estão expostas à valorização principalmente do dólar americano. Logo, percebe-se um esforço a mais da gestão em equilibrar seus passivos e ativos financeiros dentro dos limites estabelecidos no estatuto da empresa.

A empresa exportou US$ 681,5 milhões, um valor bastante expressivo e que representou uma proteção para parte do endividamento e custos realizados em outras moedas. O dólar alto valoriza as suas receitas e suas exportações, mas também aumenta o custo de suas dívidas, o que exige uma capacidade de gestão maior e um olhar macroeconômico mais apurado pela diretoria.

ANÁLISE DE ÍNDICES DE ESTRUTURA DE CAPITAIS

Participação de capitais de terceiros

Para esse cálculo, será dividido o exigível total (passivo circulante somado ao não circulante) pelo patrimônio líquido para verificar a proporção entre capitais de terceiros e capitais próprios:

Passivo
circulante
Passivo
não

circulante
Patrimônio Líquido Participação de
capital de terceiros
%
R$ 5.034.004.000,00 R$ 2.512.589.000,00 R$ 7.853.257.000,00 0,9610 96,10

Interpretação do resultado: a proporção existente entre capitais de terceiros e capitais próprios de 2018 é de 96%. Logo, representa uma dependência financeira da empresa junto aos seus credores.

O volume maior dessa dependência está representado por empréstimos e financiamentos (cerca de 40% do passivo circulante), especialmente em moeda estrangeira. Algo que já comentamos anteriormente: o dólar em patamares elevados também aumenta o custo da sua dívida.

O lado positivo é que a empresa se utiliza desses empréstimos e financiamentos para proporcionar o crescimento e ganho de market share, especialmente em mercados internacionais.

Endividamento

O endividamento será calculado pela fórmula: passivo circulante / exigível total. Como isso, visa-se conhecer a proporção existente entre as obrigações de curto prazo e as obrigações totais.

Passivo circulante Passivo
não circulante
Endividamento %
R$ 5.034.004.000,00 R$ 2.512.589.000,00 0,6671 66,71

Interpretação do resultado: a proporção entre obrigações de curto prazo e as obrigações totais é de 66%. Acima dos 50% é um pouco elevado, mas sua posição de caixa e aplicações financeiras permite ter certo conforto em aumentar esse índice sem torná-lo perigoso para o endividamento da empresa. Sua posição de ativos circulantes também é bem favorável, o que deixa o endividamento sob controle.

Imobilização do patrimônio líquido

A imobilização do patrimônio líquido visa averiguar a parcela do patrimônio líquido que foi utilizada para financiar a compra do ativo não circulante menos o ativo realizável a longo prazo. Fórmula: Ativo não circulante – realizável a longo prazo / patrimônio líquido.

Ativo não circulante Realizável a longo prazo Patrimônio Líquido Imobilização do
patrimônio
líquido
%
R$ 5.961.269.000,00 R$ 1.178.926.000,00 R$ 7.853.257.000,00 0,6090 60,90

Interpretação do resultado:  a parcela do patrimônio líquido que foi utilizada para financiar a compra do ativo circulante menos o ativo realizável a longo prazo é de 60,9%. Como é uma indústria, esse indicador está bastante proporcional às suas necessidades. A WEG precisa de fábricas, instalações e equipamentos que proporcione a sua produção.

Logo, é natural que boa parte do seu patrimônio líquido esteja imobilizado. Seu ativo imobilizado, por exemplo, representa quase metade do seu patrimônio líquido. Ou seja, sua capacidade instalada é um diferencial competitivo e um diferencial de mercado para a WEG, reconhecida pela excelência na fabricação de motores elétricos, sustentada principalmente pela modernidade de suas instalações.

Imobilização dos recursos não correntes

Com este cálculo, vamos apurar qual a proporção dos investimentos, imobilizado e intangível em relação ao patrimônio líquido acrescido do passivo exigível a longo prazo.

Ativo não circulante Realizável a longo prazo Patrimônio Líquido Passivo
não circulante
Imobilização dos recursos não correntes %
R$ 5.961.269.000,00 R$ 1.178.926.000,00 R$ 7.853.257.000,00 R$ 2.512.589.000,00 0,4614 46,14

Interpretação do resultado: esse indicador ficou em 46,14%. Como é inferior a 1 (hum), a empresa está longe de enfrentar problemas de solvência, já que as imobilizações sobre o patrimônio líquido financiado por obrigações do passivo circulante está reduzida. Muito devido ao bom momento da empresa que tem uma posição bem relevante nos seus ativos. Como destacamos na análise do indicador anterior, sua capacidade instalada é um ativo bastante relevante para essa indústria.

ANÁLISE DOS ÍNDICES DE LIQUIDEZ

Liquidez imediata

Com esse indicador, vamos apurar a capacidade de liquidez imediata da empresa para saldar compromissos de curto prazo a partir de suas disponibilidades. Fórmula: disponibilidades / passivo circulante.

Disponibilidades Passivo circulante Liquidez imediata %
R$ 4.411.400.000,00 R$ 5.034.004.000,00 0,8763 87,63

Interpretação do resultado: a liquidez imediata da empresa é de 87,63%. Portanto, a disponibilidade da empresa para quitar seus passivos circulante é quase total. Dessa forma, se mantém em uma posição confortável para aumentar o seu endividamento e realizar expansões para conquistar novos mercados e aumentar sua receita, já que possui um Market share bastante relevante.

Liquidez corrente

Com esse indicador, vamos apurar a capacidade de liquidez imediata da empresa para saldar compromissos de curto prazo. Fórmula: ativo circulante / passivo circulante.

Ativo circulante Passivo circulante Liquidez imediata %
R$ 9.438.581.000,00 R$ 5.034.004.000,00 1,8750 187,50


Interpretação do resultado
: com esse indicador, percebemos que a capacidade de pagamento da WEG, ao analisar seu ativo circulante em relação ao passivo circulante é uma proporção de quase duas vezes. É uma empresa que possui uma capacidade de pagamento elevada, o que torna o sua análise de crédito bastante favorável no mercado. Ela possui uma folga financeira de curto prazo que possibilita efetuar transações sem prejudicar sua liquidez.

Liquidez seca

Ainda avaliando a capacidade financeira líquida de curto prazo, com exceção dos estoques. Fórmula: ativo circulante – estoques / passivo circulante.

Ativo circulante Estoques Passivo circulante Liquidez seca %
R$ 9.438.581.000,00 R$ 2.458.410.000,00 R$ 5.034.004.000,00 1,3866 138,66

Interpretação do resultado: mesmo subtraindo os estoques, a capacidade de pagamento da WEG se mantém acima de 100%. Como esse é um dos indicadores mais utilizados pelas instituições financeiras  no momento das análises para o fornecimento de crédito aos seus clientes, a WEG possui uma facilidade muito grande de ter acesso a empréstimos e financiamentos para seus novos projetos.

Ao manter esse indicador dessa forma por vários anos, torna sua reputação perante aos bancos e instituições financeiras nacionais e estrangeiras sempre elevadas, reduzindo seu risco de liquidez e de acesso ao capital de terceiros.

Liquidez geral

Calcularemos se os recursos do ativo circulante e realizável a longo prazo são suficientes para cobrir as obrigações totais da sociedade. Fórmula: ativo circulante + realizável a longo prazo / passivo circulante + exigível a longo prazo:

Ativo circulante Realizável em longo prazo Passivo circulante Passivo
não circulante
Liquidez geral %
R$ 9.438.581.000,00 R$ 1.178.926.000,00 R$ 5.034.004.000,00 R$ 2.512.589.000,00 1,4069 140,69

Interpretação do resultado: como comprovado tanto pelos indicadores anteriores e por esse (liquidez geral), a posição de liquidez dessa empresa é bastante confortável, o que a torna uma das preferidas dos investidores de longo prazo na bolsa brasileira.

Dessa forma, esses indicadores permitem concluir que a empresa está satisfatoriamente estruturada do ponto de vista financeiro. Ou seja, mesmo com endividamento e participação de capitais de terceiros elevada, ela possui bastante liquidez para honrar todos os seus compromissos.

ANÁLISE DOS ÍNDICES DE RENTABILIDADE

Giro do ativo

Neste índice, procura-se evidenciar a proporção existente entre o volume de vendas e os investimentos totais efetuados na empresa. Fórmula: vendas líquidas / ativo total.

Vendas líquidas Ativo total Giro do ativo %
R$ 11.970.090.000,00 R$ 15.399.850.000,00 0,7773 77,73

Interpretação do resultado: esse indicador nos mostra que, em 2018, a empresa conseguiu girar quase 80% do seu ativo. Portanto, nos mostra que o volume de vendas permite obtenção de ótima lucratividade para cobrir os gastos, oferecendo ainda, boa margem de lucro.

Mesmo que não supere os 100%, ainda está em nível bom, considerando a produção industrial que se ocupa em transformar matéria-prima em produtos acabados. Ou seja, tem vários custos envolvidos no seu processo produtivo.

Margem líquida

Neste índice, observa-se a lucratividade obtida pela empresa em função de seu faturamento. Fórmula: lucro líquido / vendas líquidas.

Lucro líquido Vendas líquidas Margem líquida %
R$ 1.338.319.000,00 R$ 11.970.090.000,00 0,1118 11,18

Interpretação do resultado: nesse indicador, identificamos que para cada real do seu faturamento, a empresa obteve um lucro líquido de 11,18 centavos. Também é um indicador que mostra sintonia com o anterior, giro do ativo e que há muitos custos envolvidos no seu processo, já que a receita líquida foi de 11 milhões e, ao final de todos os descontos, sobra cerca de 11% desse valor.

No entanto, é um valor bastante compatível com o que se observa no mercado. Analisando alguns dos players dessa área com ações na bolsa, temos margens líquidas parecidas, tais como: ROMI (16,87%), Shulz (9.03%), Kepler (7,56%), Electro Aço (5,98%). Logo, a WEG está em boa posição em termos de competitividade na margem líquida.

Rentabilidade do ativo

Neste índice, averígua-se o potencial de geração de lucros por parte da empresa para cada real de investimento total. Fórmula: lucro líquido / ativo total.

Lucro líquido Ativo total Rentabilidade do ativo %
R$ 1.338.319.000,00 R$ 15.399.850.000,00 0,0869 8,69


Interpretação do resultado
: a rentabilidade do ativo mostra o potencial de geração de lucros por parte da empresa em relação ao seu ativo total, que ficou em 8,69%. Como trabalha com maior participação de capitais de terceiros, a WEG precisará remunerar esses capitais com a lucratividade apurada no desenvolvimento de suas atividades normais. Além disso, tem total relação com a Alavancagem Financeira, isso porque ela refere-se ao montante da dívida na estrutura de capital da empresa para que sejam comprados mais ativos.

Rentabilidade do patrimônio líquido (ROE)

Este índice mostra qual foi a taxa de rentabilidade obtida pelo capital próprio investido na empresa. Fórmula: lucro líquido / patrimônio líquido.

Lucro líquido Patrimônio líquido Rentabilidade do patrimônio líquido %
R$ 1.338.319.000,00 R$ 7.853.257.000,00 0,1704 17,04


Interpretação do resultado
: esse indicador nos mostra que a rentabilidade em torno do seu patrimônio líquido foi de 17%. Como esse é um dos indicadores preferidos pelos investidores para avaliar o quão rentável é a empresa em relação ao capital do seu patrimônio líquido, vale compará-la com alguns de seus principais concorrentes em bolsa.

Novamente, a WEG aparece bem posicionada ao analisar o ROE de outras empresas do mesmo setor, tais como: Inepar (21,19%), Romi (17,45%), Shulz (15,94%), Electro Aço (10,67%).

ANÁLISE VERTICAL

Para a análise vertical, observaremos a proporção das contas em relação a conta total. Exemplo: proporção do ativo circulante em relação ao ativo total. A análise vertical é instrumento de controle que aprimora a compreensão sobre a situação do negócio e aprimora a tomada de decisões. Serão analisados para isso, os dados financeiros do balanço finalizado em 2018.

Ativos:

2018 (em R$ mil)
Ativo circulante 9.438.581 61,29%
Ativo não circulante 5.961.269 38,71%
Ativo total 15.399.850 100,00%


Interpretação: nessa análise, percebe-se que a proporção dos ativos da empresa se concentram em sua maioria nos ativos de curto prazo (circulantes). Como trabalha com transformação de matérias primas, tem um volume alto de estoques e valores em caixa e aplicações financeiras de curto prazo que serão utilizados na administração do negócio.

Além disso, a sua composição do ativo não circulante é representada pelo ativo imobilizado em operação, como já dizemos, representados pelas suas fábricas e capacidade instalada. Dos R$ 5,9 bilhões de ativo não circulante, R$ 3,5 bilhões é representado por seu imobilizado em operação.

Passivos:

2018 (em R$ mil)
Passivo circulante 5.034.004 32,69%
Passivo não circulante 2.512.589 16,32%
Patrimônio líquido 7.853.257 51,00%
Total do passivo e patrimônio líquido 15.399.850 100,00%

Interpretação: da mesma maneira, a maior proporção dos passivos está concentrada no curto prazo (circulante), representando praticamente o dobro dos passivos não circulantes. Nota-se também um equilíbrio quase perfeito entre os passivos e o patrimônio líquido, mostrando uma boa estrutura nas obrigações com terceiros e com os sócios.

Como relatado anteriormente, a proporção maior do passivo não circulante R$ 2,049  bilhões está representado por empréstimos e financiamentos, sendo R$ 1,8 bilhão em moeda estrangeira, mostrando o desejo da empresa em aumentar sua participação internacional e sua variação conforme a valorização do dólar americano.

ANÁLISE HORIZONTAL

Na análise horizontal, o objetivo é acompanhar o desempenho dos itens do balanço patrimonial de um período para o outro. Por exemplo, qual é a variação dos ativos totais de um ano para o outro. Serão utilizados os dados de 2016 a 2018 para ter essa comparação.

Ativos:

(Em R$ mil) 2018 2017 2016
Ativo total 15.399.850 13.981.142 13.481.407
Ativo circulante 9.438.581 9.415.667 9.127.483
Ativo não circulante 5.961.269 4.565.475 4.353.924

Interpretação: na análise horizontal dos ativos, percebe-se a evolução gradual dos ativos desde 2016, saltando de R$ 13,4 bilhões para 15,4 bilhões, um bom crescimento. Os ativos não circulantes, por sua vez, permanecem orbitando na cada dos R$ 9,4 bilhões.

Ou seja, a empresa está conseguindo aumentar seus ativos circulantes todos os anos sem necessariamente promover uma grande alteração no não circulante. Isso significa que não está sendo necessário aumentar muito sua imobilização para que sua eficiência e produtividade aumentem.

Passivos:

(Em R$ mil) 2018 2017 2016
Passivo circulante 5.034.004 4.326.788 3.278.855
Passivo não circulante 2.512.589 2.815.892 4.159.644
Patrimônio Líquido 7.853.257 6.838.462 6.042.908
Total do passivo e patrimônio líquido 15.399.850 13.981.142 13.481.407

Interpretação: os passivos circulantes também aumentam de forma gradual, conforme a evolução da empresa, sem grandes saltos repentinos. Isso mostra ao investidor a sintonia como os ativos e passivos vem aumentando em harmonia sem grandes sobressaltos, o que representa que a empresa não toma grandes volumes de dívida de repente.

O patrimônio líquido também teve uma melhora significativa nesses três anos, saindo de R$ 6 bilhões para quase 8 bilhões, notadamente um ganho de valor para os sócios e valor da companhia no mercado.

Conclusão

Chegando ao final dessa análise, pode-se concluir que a WEG, além de ser uma das principais companhias de capital aberto listada na bolsa brasileira, também possui ótimos quocientes de análise e de gestão do ponto de vista do que é possível extrair do seu balanço anual e demonstração de resultados. Tal eficiência a tornou um dos investimentos certeiros para quem aloca capital em renda variável.

Seu sucesso mais recente de valorização registra uma subida da cotação de suas ações de R$ 0,33 em janeiro de 2000 para R$ 29,86 em novembro de 2019. Somente este ano, registra uma valorização de 69%. Claro que tamanha valorização é acompanhada e respaldada pelos excelentes resultados da empresa, que tem se mostrado bastante eficiente no longo prazo, com destaque para seus resultados operacionais que pudemos comprovar através dos seus balanços.

É uma empresa que tem se mostrado cada vez mais sólida, rentável e plenamente conhecedora da sua estrutura de capital de modo a equilibrá-la a fomentar o seu próprio crescimento. Notamos também que a WEG não se envolve em endividamentos desnecessários ou que vão além da sua capacidade de pagamento, ou seja, funciona como “um relógio”, identifica as oportunidades e procura formas saudáveis de proporcionar tal evolução.

A maior prova disso é, como foi relatado, as suas receitas internacionais terem ultrapassado as receitas nacionais, o que torna a empresa menos dependente do sucesso no mercado brasileiro, caso a economia local enfrente problemas como é o caso do atual cenário macroeconômico.

Sabemos também que indústrias de grande porte devem ter suas finanças equilibradas, uma vez que constantemente precisam ter acesso ao crédito para financiar expansões. O nome da WEG no mercado é bastante positivo, seja pela sua excelente posição junto às instituições financeiras ou pela característica top of mind de seus produtos, que, ano após ano, demonstram notáveis expansões de receita.

Portanto, o presente trabalho demonstrou-se uma valiosa oportunidade de estudar uma das principais empresas de um dos principais setores da economia nacional, explorando a fundo seus números e conceitos que contribuirão de modo engrandecedor em próximas análises.

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