Comparação de investimentos: não se compare às outras pessoas

Fulaninho alcançou R$ 1 milhão de reais aos 35 anos de idade. Beltraninho começou com R$ 1.520 e, depois de X anos, já está milionário. Joãozinho hoje vive de X reais de renda mensal sem trabalhar, colhe os frutos dos seus investimentos.

É inegável o quanto a publicidade de investimentos joga ao vento frases como essa. Elas, ao mesmo tempo que podem ser de grande inspiração, podem também ser um grande risco.

Fazer comparações de níveis de investimentos com outras pessoas deve ser colocado em uma perspectiva à parte, por várias razões. Vamos pensar um pouco sobre isso.

Cases de mercado e analistas estão errados?

Ninguém desmente que grandes investidores chegaram a tal resultado, mas garantir que todo mundo vai chegar no mesmo número ao mesmo tempo é, no mínimo, enganação. Resultados passados não garantem ganhos futuros.

Os analistas também não estão errados. Eles fazem leituras e cálculos de probabilidade de um ativo ganhar ou perder determinado valor. Fixe essa palavra: probabilidade. É uma perspectiva de mercado, não uma certeza.

Esse mercado é uma função de infinitas variáveis e, com certeza, muitas escapam da leitura do analista, que concentra-se em avaliar as mais evidentes. Logo, uma comparação dos seus investimentos com cases de sucesso, sem colocá-los em perspectiva na sua própria realidade, é dar um tiro no escuro.

O problema da subjetividade

Vamos encarar: você vive em uma realidade diferente, tem uma renda diferente, despesas diferentes, nível de conhecimento diferente, participa de mercados diferentes e, acima de tudo, tem metas e objetivos diferentes.

Okay. Você quer ficar rico. Mas o quão rico será suficiente é uma escala subjetiva. Você pode se contentar com 1 milhão de reais. Seu vizinho não aceita menos de 10 milhões para se considerar rico.

Condições específicas e múltiplas determinam um investimento e seus resultados, dentre os quais podemos destacar: (a) aportes, (b) valor, (c) tempo, (d) diversificação, (e) gerenciamento de risco, (f) estudo, (g) expectativas macroeconômicas (inflação, câmbio exportações e importações), (h) fatores microeconômicos (confiança das empresas, indicadores de consumo) e por aí vai.

As implicações são desde o curto até o longo prazo. Os apressadinhos, me parece, simplesmente ignoram tudo isso e sempre estão buscando a opinião e recomendação prontas de alguém sobre o melhor investimento ou como acertar a mão e ganhar uma bolada.

Na verdade, soa bastante como uma válvula de escape para ter quem culpar caso perca tudo. A responsabilidade do investimento é toda sua. Os ganhos e as perdas são seus, decorrentes de análises e aportes do seu bolso.

Estude, aprenda e opere o sistema. Opere valor e não opere apenas dinheiro, ganhos ou perdas. Ninguém te obrigou a investir, então, tome as melhores decisões com base em conhecimento.

Os investimentos, sobretudo a bolsa, não são um lugar de brincadeira. Os conceitos são simples se estudados, mas a sua operação é difícil e deve ser levada a sério.

Como mencionamos, são inúmeras variáveis atuando no sucesso ou no fracasso de um investimento. Não existe a fórmula mágica e o investidor ter a muito mais chance se sucesso se não ficar tentando encontrar o próximo grande foguete da bolsa o tempo todo.

Ficar rico é acumular patrimônio de valor, que se consegue comprando ações de empresas boas – lucros consistentes, dívida sobre controle e boas perspectivas –, fundos bem administrados, valores diversificados e replicando os lucros e dividendos, além dos aportes frequentes. Isso é claro, sem gastar mais do que se ganha e gerenciar os riscos.

Vamos falar agora sobre como se manter confiante e alheio a opiniões pessoais e como pensar nos próprios objetivos e metas.

Juros compostos: o seu melhor amigo!

Conforme vamos adquirindo conhecimento financeiro, vemos que o princípio de não girar capital e confiar nos juros compostos é certeza de multiplicação das suas cifras. Lembrando que a fórmula de juros compostos implica nos valores e taxas elevados ao tempo. Ou seja o tempo é quem manda.

Vamos fazer um exercício rápido para lembrar do poder dos juros compostos frente aos juros simples:

Juros simples

Se aplicarmos R$ 500 por mês, durante 30 anos e a uma taxa hipotética de 1% ao mês, teremos, no final desse período, R$ 181.800,00.

Juros compostos

Agora, se fizermos a mesma operação, mas considerando que essa taxa de rendimento mensal se dá pelos juros compostos, o resultado final é R$ 1.747.482,07.

Ou seja, é inegável o poder dos aportes e dos juros sobre juros. O que falta às pessoas é paciência. A todo momento, busca-se a riqueza imediata. É preciso pensar nos seus objetivos – de curto e longo prazo – e usar a matemática financeira para chegar lá.

Foque nos juros compostos e no que os números te mostram. Mantenha alheio ao restante e à manada. Se as opiniões e análises vão de encontro aos números e probabilidades, ótimo. Do contrário, desconfie.

Defina as suas próprias metas

Curto prazo

Quais são seus objetivos a curto prazo? Terminar os estudos? Fazer uma reforma em casa? Quitar um financiamento? Suas metas nos próximos 3 anos não podem consumir seus recursos disponibilizado para ganhos no longo prazo. Lembre-se: valor + aporte + tempo.

Se você compromete uma dessas variáveis para consumi-la no curto prazo, você não aproveita a força dos juros compostos. Defina suas metas e separe seus investimentos de curto dos de longo prazo.

Longo prazo

Após construir a sua reserva de emergência – valor correspondente de 6 a 12 meses do seu gasto mensal -, defina a sua meta a longo prazo. Para isso, considere longo prazo mesmo, coisa de 20 anos ou mais.

Com essa meta definida, você fará os cálculos do que você precisa fazer hoje, a qual taxa e a quais aportes para alcançá-la.

Desenhe seu próprio método e controle o risco

Como falamos, a responsabilidade dos seus investimentos é sua. Bom, dito isso, você sabe como funcionam os juros compostos, tem a sua reserva de emergência, sabe quais são seus objetivos e o que precisa fazer. É hora de investir!

Estude e use o que você aprendeu para traçar o seu próprio método. Confie e acredite no seu julgamento e análise de dados, não saia correndo atrás da manada.

Se você vai usar a análise técnica, fundamentalista ou uma mescla de ambas, é sua decisão.

Com aprendizado, disciplina controle de risco e inteligência emocional, você tomará as rédeas do seu dinheiro e o fará crescer, sendo sócio de empresas boas e diversificando sua carteira em bons investimentos.

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